Análise – Castlevania Netflix – Primeira Temporada

A série foi baseada no jogo Castlevania III: Dracula’s Curse, que foi lançado em 1990, a história se passa em 1476 onde o Conde Drácula reune um exército de criaturas vindas do inferno para extirpar a população de Valáquia. Trevor Belmont, com a ajuda dos Oradores e de Alucard tentará dar fim a irá do conde.

Confesso, esperava não mais que uma animação mediana de Castlevania, porém fui positivamente surpreendido por uma obra impecável, tanto aos fãs da franquia de jogos, quanto para os marinheiros de primeira viagem nesse universo incrível.

A quantidade de poequenas referências é enorme, como um bom fã, reconheci bastante delas, mas gostaria de dar uma luz para dois momentos em especial que me tocaram profundamente. Uma delas ocorre bem de início, durante o diálogo entre Lisa e Drácula, onde uma lamparina se acende, e aquele som de chamas característico dos jogos já me marejaram os olhos. Outro foi após Drácula liberar suas horda de criaturas em uma cidade, após o massacre causado pelos monstros, pode-se perceber uma área do castelo em que se encontra um importante “pet” no jogo Castlevania: Symphony of the Night.

Agora deixando o fã service de lado, vamos ao que interessa, que são as impressões sobre a série animada. A trilha sonora se mostrou impecável como já era de se esperar o que ajuda de forma magistral a entrar no clima e a ambientação das cenas. A série foi muito bem animada e não poupa tinta vermelha quando nescessário, mas sem tornar a violência massante ou exagerada, embora ainda possa chocar algumas pessoas por não poupar cenas onde morrem crianças ou bebês.

O plot em cima da opressão exercida pela igreja foi muito bem construido, resultando em ótimos diálogos, em especial um entre um demônio e um bispo dentro de uma igreja que foi memorável, inclusive, sempre que houver uma igreja, preste atenção, as melhores cenas provém daí. 

A forma com que é mostrada a tentativa de redenção de Drácula, seguida de sua fúria e seu ódio incontroláveis pela raça humana  faz com que você entenda a motivação do vilão, algo que admiro e muito em roteiros. Quando bem feitos, claro!

A humanização do personagem Belmont ficou devéras interessante, deixando de lado aquela máquina de matar dos jogos e colocando um pouco do seu lado mais casual e canastrão, ao mesmo tempo que está desacreditado do mundo e ao mesmo tempo mostra sua relação com os problemas causados pela igreja a sua família. A forma com que os oradores foram apresentados rendeu bons diálogos, e diálogos importantes para o desenvolvimento de Trevor na história.

Tocando no assunto dos diálogos, todas as falas do personagem Drácula são um prazer a parte, tanto dublado em inglês quanto em português ficaram impactantes, além de muito bem interpretadas pelos seus devidos dubladores, fazendo uma menção a dublagem em português, ficou muito bem trabalhada, acredito apenas que o dublador escolhido pra ser Alucard deveria ter um pouco mais de presença na voz, mas nada que estrague ou piore o personagem de alguma forma. A cena onde encontram Alucard e inicia-se um duelo, ao meu ver é o ponto alto da animação, cada movimento ficou muito bem feito, mesmo que a série inteira fosse ruim, ela se justificaria nessa cena. A única crítica ao roteiro vem da motivação de Alucard, nada que um episódio a mais não resolvesse, porém, não prejudicou de forma alguma a série.

Uma série muito bem animada, de trama concisa e bem desenvolvida, dubladores bem escolhidos e ótimos diálogos. Agora resta esperar sua segunda temporada que já foi confirmada, e reza a lenda que terá o dobro de episódios.

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